terça-feira, 27 de novembro de 2018


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Comentários sobre Gamificação

- Por Alfons Heinrich Altmicks

O artigo de Bissolotti, Nogueira e Pereira (2014) procura situar as questões contemporâneas da Educação a Distância (EAD), sobretudo a apropriação dos novos formatos digitais, entre os quais, as redes sociais e os games, no rol das teorias pedagógicas, que os autores concebem como as mais apropriadas para o desenvolvimento das atividades educacionais em EAD, quais sejam, o sócioconstrutivismo e – o seu desdobramento - a cognição situada. Bom, tenho lido, já há algum tempo, autores que procuram fundamentar as propostas de uso da EAD e dos seus elementos nos paradigmas educacionais da primeira metade do século XX. Confesso discordar desse movimento. 

As teorias da primeira metade do século passado possuem limitações históricas obvias, o que as impede de serem, plenamente, adaptadas ao contexto educacional contemporâneo. Entendam, não ouso afirmar que as ideias Piagetianas ou Vygotskianas tenham perdido o significado ou que sejam desimportantes. As ideias não morrem, nem envelhecem, mas perdem, talvez, a sua aplicabilidade. Em lugar de Piaget ou de Vygotski, possivelmente, seria mais interessante situar a EAD em plataformas paradigmáticas mais fluídicas, como a Rizomatia, de Guatarri e deleuze, a Modificabilidade Estrutural Cognitiva, de Feuerstein, ou a Autopoiese, de Maturana.

O artigo de Santos e Freitas (2017) representa uma tentativa de identificar o “estado da arte”, em relação às pesquisas sobre a presença da gamificação na Educação. Os autores estabelecem categorias para análise do material consultado, muito provavelmente, com o intuito de selecionar aquilo que usarão em futuras investigações. Com esse movimento, terminam por fornecer um bom painel de possibilidades de abordagens teóricas para o tema da gamificação.

O artigo de Klock et al (2014) busca identificar as estratégias de gamificação, utilizadas em dez modelos de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Os autores começam por teorizar sobre características e categorias, presentes à gamificação. Em seguida, descrevem os AVA, caracterizando as suas iniciativas. Chama a atenção que os AVA selecionados possuem características propícias à gamificação ou à interação em rede (formato de rede social). Por fim, os autores analisam os AVA, correlacionando as suas características àquelas próprias da gamificação. Achei o trabalho muito descritivo, embora interessante. Talvez, os autores o tenham aprofundado, em outra oportunidade.

REFERÊNCIAS

BISSOLOTTI, Katielen; NOGUEIRA, Hamilton Garcia; PEREIRA, Alice Theresinha Cybis. Potencialidades das mídias sociais e da gamificação na educação a distância. Novas Tecnologias na Educação, CINTED/ UFRGS. Joinville-SC, 12 nº 2, p 1-11,  dez, 2014.
KLOCK, Ana Carolina Tomé et al. Análise das técnicas de Gamificação em Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Novas Tecnologias na Educação, CINTED/ UFRGS. Joinville-SC, 12 nº 2, p 1-10,  dez, 2014.

SANTOS, Júlia de Ávila dos; FREITAS, André Luís Castro de. Gamificação Aplicada a Educação: um Mapeamento Sistemático da Literatura. Novas Tecnologias na Educação, CINTED/ UFRGS. Joinville-SC, 15 nº 1, p 1-10,  jul, 2017.

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