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Mobile Learning
- Por Alfons Heinrich Altmicks
Sobre a questão proposta, creio que as ferramentas disponíveis na web, a aprendizagem virtual online e as potencialidades apresentadas pelos dispositivos móveis não constituem, em si mesmos, revoluções educacionais. Antes, apontam para um fenômeno maior e mais complexo: a mudança nas dinâmicas de relacionamento humano, no Novo Milênio.
O momento em que vivemos representa a síntese e o ponto mais fulcral de um processo, iniciado no Século XIX: a assunção de que o Projeto Utópico Moderno, de que seríamos, todos nós, emancipados pela Ciência e pela Razão, faliu, desastrosamente. Com efeito, ao longo dos séculos que compõem a Modernidade, a condição humana, no Ocidente, não foi melhorada, e, em alguns casos, tornou-se muito pior.
Ora, a Educação encampou a utopia moderna de libertação dos seres humanos. Assim, a falência da utopia foi sentida no campo educacional. Desde então, por volta da segunda metade do Século XIX, os teóricos da Educação têm buscado situá-la em paradigmas, que sejam capazes de dar conta, por um lado, das transformações ocorridas na sociedade humana; e, por outro, do desencanto apresentado pelo Ocidente, órfão das ideias utópicas da Modernidade.
Ao passo em que os novo paradigmas educacionais foram buscados, a humanidade viu-se diante de uma evolução técnica e tecnológica sem precedentes, especialmente, no que tange às tecnologias da Comunicação. Fotografia, telégrafo, cinema, rádio, TV e, por fim, a Internet revolucionaram a maneira como as pessoas se relacionam, nos últimos dois séculos. Obviamente, a Educação teve espaço nessa revolução, constituindo parte dos conteúdos, emanados destes veículos.
É muito claro que, até o advento da Internet, a Educação não soube utilizar os mecanismos dos mass media para gerar formação. Primeiro, por causa das características dos veículos tradicionais, que impedem as trocas simbólicas, em toda a sua acústica; depois, porque não havia teoria pedagógica que pudesse localizar a Educação em um locus ampliado para além da sala de aula; por fim, porque os relacionamentos humanos ainda distinguiam entre o que é contato material/ontológico e virtual/simbólico.
Parece-me que estas três condições só foram alcançadas, muito recentemente, no Novo Milênio, o que explica a penetração das ferramentas da web, da aprendizagem virtual online e das atividades pedagógicas desenvolvidas em dispositivos móveis. Estes recursos, contudo, não surtiriam efeito sem as mudanças sociais estruturais, supracitadas.
Abraços a todos

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