Recomendações
para a produção textual sobre os desafios da educação digital, ressaltando-se a
influência da cibercultura e da convergência de mídias no processo de ensinar e
aprender na contemporaneidade.
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Por Alfons Heinrich Altmicks
Sobre
o fenômeno da Educação Digital, pouco se pode dizer, pois, do ponto de vista
histórico, ainda não se pode distanciar do fato para entendê-la com perfeição.
Entretanto, alguns juízos já são mais ou menos evidentes. À primeira vista,
parece que a Internet surge como síntese (no sentido dialético: Tese e antítese
como geradoras da síntese) entre a escrita e o vídeo. De fato, há texto
escrito, há imagens e há vozes na Rede Mundial de computadores. Mas há,
sobretudo, a possibilidade real de interagir. Nos meios convencionais, a
interatividade é restrita, constituindo-se mais em reatividade do que em real
interação. Livro, rádio e televisão possuem uma quantidade limitada de
respostas possíveis; enquanto, na WEB, a mensagem pode ser alterada, inclusive,
na fonte.
Diferente
dos meios de comunicação de massa, a Internet permite a efetiva participação
dos receptores, tornando a mensagem compartilhada. Isso é muito desejável no
horizonte da Educação: o indivíduo que compartilha ideias é capaz de trilhar o
seu próprio caminho, com segurança e autonomia. Eis o grande diferencial: a
capacidade de interatividade da/na Rede. Esta capacidade força o receptor a se
expor, a confrontar ideias, a construir coletivamente os conteúdos. A ressalva
fica por conta da impossibilidade de qualquer tipo de controle sobre os
conteúdos da Rede Mundial de computadores.
Evidentemente,
a Internet configura uma rede não-hierárquica de informações, o que, em sentido
leigo, significa dizer que ela não possui matriz. Cada computador no mundo é um
polo emissor e receptor a um só tempo, o que torna a tarefa de censurar a WEB
praticamente impossível (do que surge, em última instância a própria
cibercultura). Assim, qualquer ser humano que tenha parcos conhecimentos em
HTML pode veicular o que bem desejar na rede: Informações úteis ou deformações
absurdas. Para um garoto que ainda não possui um intelecto pronto para a
crítica, isso pode ser desastroso.
Então,
fica claro que o maior desafio enfrentado pela Educação Digital é o de compelir
o estudante a direcionar os seus esforços para o aprendizado, pois, com efeito,
o meio Internet é altamente dispersivo. Nesse sentido, o fenômeno da cibercultura
pode potencializar ou antagonizar a Educação Digital. A inserção na
cibercultura pode proporcionar ao estudante os requisitos cognitivos,
socioéticos e de linguagem, ideais para que aprenda a se organizar, com fins à
fruição dos recursos da Educação Digital. Por outro lado, pode seduzi-lo em
direção a outras atividades, que em nada se aproximam dos recursos educativos.

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