quarta-feira, 31 de outubro de 2018


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A Internet como manancial de pesquisa

 - Por Alfons Heinrich Altmicks
Dentre os suportes fragmentados de leitura, um merece especial atenção, dado o seu caráter idiossincrático: a Internet. Para Manuel Castells (2001), a rede de extensão informacional, conhecida como Internet, tem a sua gênese no período histórico da Guerra Fria[1], muito embora o seu desenvolvimento como veículo de comunicação em larga escala somente ocorresse a partir do momento em que a sua tecnologia adentrou os campi da Universidade de Los Angeles. A sua origem acadêmica, de certa forma, determinou a sua natureza, dotando o veículo características contra-hegemônicas, fundamentais na sua proposta de construção cooperativa e anárquica do conhecimento.

A Internet constitui — e esta foi a sua concepção original — uma rede não-hierárquica de informações, de feição colaborativa. Isso significa que cada núcleo de expressão deste veículo, cada computador no mundo, é ao mesmo tempo um polo emissor e um polo receptor de conteúdos. Originalmente, esta tecnologia visava a reorganização automática da rede comunicacional, em caso de destruição de algumas das suas matrizes. Desse modo, a mensagem seria preservada e redistribuída, mesmo que houvesse a eliminação da sua fonte original. Como tecnologia bélica, a Internet representava a maior expressão de comunicabilidade já engendrada pela mente humana.

Entretanto, ainda para Castells (2001), a grande revolução promovida pelo veículo aconteceria quando da sua passagem às mãos da iniciativa civil. No início dos anos 70, esgotados os recursos de desenvolvimento de linguagem dos militares, as tecnologias não-hierárquicas de comunicação foram transferidas às universidades norte-americanas, para que fossem desenvolvidas. Uma vez nos campi dessas universidades, as suas linguagens — e também os seus conteúdos e mesmo a sua tecnologia — passaram a ser desenvolvidas de forma colaboracionista. Várias mentes se debruçaram sobre as suas questões para resolvê-las conjuntamente, mesmo que estas estivessem separadas no tempo e no espaço geográfico.

Esse desenvolvimento coletivo do veículo o caracterizou, no sentido de dotar-lhe de uma natureza iminentemente interativa. De fato, quase tudo na Rede Mundial de Computadores é calcado no princípio da interatividade, que simplesmente pressupõe a capacidade de alterar a mensagem original na fonte emissora, seja esta mensagem um conteúdo, uma informação, uma linguagem ou a própria tecnologia do veículo[2]. Desta forma, porquanto seja interativa e colaboracionista, a Internet é incontrolável. Nesse sentido, a Rede Mundial de Computadores seria mais do que um veículo de comunicação: se constituiria num mecanismo de projeção de todas as consciências humanas, portadoras de saberes, subjetividades e técnicas, organizadas a partir de uma dimensão socializante e tecnológica comum. Como tal, na opinião de Maria da Graça Setton (2011), pode-se assumir que a fisiologia da Internet favorece à assunção de uma maneira toda peculiar de organização psíquica, subjetiva e intelectual.

Esse fenômeno, segundo Paul Virilio (Ap. SETTON, 2011) é nocivo ao pensamento humano, posto que a Internet não fomentaria a reflexão e o debate de ideias, mas tão somente a troca de informações. Do mesmo modo, as trocas subjetivas não se efetivam, uma vez que o isolamento físico entre os usuários da Rede Mundial de Computadores, embora conectados pela projeção das suas consciências, não permitiria uma real socialização, mas apenas a ilusão desta.

Telma Romilda Duarte Vaz (2006) também entende que a Internet seja nociva à Educação. Em nível acadêmico, a nocividade do veículo manifesta-se na sua utilização para a confecção de trabalhos questionáveis, mal intencionados, fraudulentos, difíceis de serem verificados, por causa da velocidade com que se multiplicam na rede. A situação se agrava quando, mesmo o discente idôneo, depara-se com a possibilidade de, uma vez usando o veículo como esteio de pesquisa, cair na armadilha de fundamentar as suas ideias num manancial muitas vezes aleatório e duvidoso de construção do saber. Na Internet, onde quase tudo é criado coletivamente, há pouca segurança sobre a procedência e pertinência das informações.

Outra característica relevante da Rede Mundial de Computadores é o seu caráter prismático. Segundo Luciano Teixeira Campos (2002), em média, cada página da Internet possui nove possibilidades de ampliação temática, ou seja, de links que nem sempre são coerentes com o assunto original. O usuário mediano da Rede costuma flanar dentre essas páginas, absorvido por conteúdos tão diversos e, não raro, perde a conexão com o tema inicial da sua pesquisa. A estrutura prismática da Internet, nesse sentido, assemelha-se ao efeito zapping[3] televisivo, no qual o telespectador vai mudando aleatoriamente os canais da sua TV, sem nenhum compromisso para com os conteúdos apresentados. Para Lynn Alves:

A nova forma de pensar que emerge na comunicação em rede favorece um pensamento mais inferencial, podendo ocorrer as mais variadas conexões, sem uma preocupação hierárquica, instaurando assim uma lógica rizomática; a cada nova contribuição despontam novos caminhos, novas cartografias cognitivas. Essa lógica rizomática permitirá uma cadeia de associações cognitivas, que tem um ponto de saída que logo será perdido, em função da busca de novos caminhos que irão surgir a cada novo link sem definir, claramente, o ponto de chegada. (2012, p. 03)

As consequências para a pesquisa acadêmica em Educação são evidentes: além de ser a Internet um veículo pulverizador da mensagem, por conta do seu caráter colaboracionista, ela possui ainda a característica de dispersar a atenção do seu usuário, uma vez que, dada a sua estrutura prismática, remete-o a uma infinidade de assuntos desconexos, sem que um veio lógico os relacione. Nesse sentido, entende-se que o veículo Internet somente é útil ao pesquisador que domine previamente os conteúdos, métodos e escopos do que pretende investigar; entretanto é desastroso e contraproducente para todos aqueles que ainda tateiam os logros científicos. A sua estrutura não-hierárquica, colaborativa, interativa e prismática não corresponde às necessidades individualizantes de uma investigação científica. Para que este veículo possa atender à pesquisa científica, faz-se necessário uma sólida formação metodológico-epistemológica do pesquisador. Uma formação que deve ser obtida da leitura totalizante, do acesso aos livros e às ideias completas dos seus autores



[1] A Internet foi gerada a partir da extinta agência ARPA, subordinada à Inteligência Militar do governo Norte-americano, num momento de tensão político-ideológica conhecido como Guerra-Fria. Inicialmente, o projeto ARPANET visava a criação de uma rede de comunicações não-hierárquica, que sobrevivesse a um conflito nuclear, algo que parecia iminente, sobretudo nos anos 60 do século passado.
[2] Quando Richard Stallman concebeu o conceito de Copyleft, em 1988, ele estava na verdade elevando à máxima expressão o conceito de interatividade. O Copyleft representa uma patente aberta, que permite não somente o uso coletivizado dos produtos, como também a sua alteração em função da necessidade do usuário.
[3] O zapping pode ser descrito como uma prática obsessiva do telespectador, que troca compulsivamente os canais da sua TV, à menor variação no ritmo da programação. O zapping se manifesta sobretudo nos momentos do break comercial.


Referências

ALVES, Lynn Rosalina Gama; SILVA, Jamile Borges da. Educação e cibercultura. Salvador: EDUFBA, 2001. P. 154.

CAMPOS, Luciano Teixeira. O olhar sob a rede. Recife: Maná, 2002. P. 101.

CASTELLS, Manuel. La galáxia internet. Madrid: Areté, 2001. P. 302.

SETTON, Maria da Graça. Mídia e educação. São Paulo: contexto, 2011. P. 126.

VAZ, Telma Romilda Duarte. O avesso da ética: A questão do plágio e da cópia no ciberespaço. Cadernos de Pós-Graduação-Educação. São Paulo, v. 5, nº 1, p. 159-172, 2006.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

 
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Proposta de gamificação



- Por Alfons Heinrich Altmicks

Considerando o que discutimos, elabore e poste uma proposta com os seguintes itens: justificativa, objetivos, metodologia, estratégias de avaliação e referências. 

Proposta
Uso da rede social Facebook para simulação de campanha institucional, a ser realizada por alunos da graduação em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda.

Enunciado
Caro estudante, ao longo da primeira unidade, estudamos a comunicação, da perspectiva comunitária, agora, vamos botar a mão na massa?
Em equipes de cinco componentes, criem um cliente (preferencialmente, do terceiro setor), montem a sua marca e o seu conceito, além de cinco peças publicitárias para as redes sociais. Em seguida, construam uma fanpage no Facebook, para divulgar as suas produções. Até o último dia de novembro, a equipe que angariar mais curtidas na fanpage, será declarada campeã e receberá, como o prêmio, duas semanas de veiculação do seu trabalho no outdoor luminoso da universidade.

Justificativa
Diante da necessidade de se utilizar as metodologias ativas, para potencializar a aprendizagem, em nível universitário, a utilização de estratégias de jogos e gamificação constitui um excelente manancial didático, naturalmente, motivador das novas gerações de estudantes (conectados).
A proposição da Gincana da Fanpage Institucional visa proporcionar, aos estudantes, o contato com a realidade do trabalho de comunicólogo/publicitário, apostado na ludicidade e na competitividade, como elementos capazes de despertar o prazer de aprender.


Objetivos
1 – Objetivo geral
Proporcionar o contato do estudante de comunicação com a realidade do trabalho publicitário.
2 – Objetivos específicos
a)   aplicar as teorias da Comunicação Comunitária à atividade publicitária;
b)   desenvolver o senso crítico e a competitividade do estudante de comunicação;
c)   propiciar o contato do estudante de comunicação com cada uma das etapas da produção publicitária para a Internet

Metodologia
O primeiro momento, as equipes devem criar um cliente fictício e desenvolver a sua marca e o seu conceito de comunicação.
Em seguida, devem construir cinco peças publicitárias para redes sociais.
As peças deverão ser alocadas em uma fanpage da rede social Facebook.
As equipes cuidarão da atração dos clientes, da comunicação/interação e da captação dos resultados.
A fanpage que angariar mais curtidas será a vencedora.

Estratégias de avaliação
A atividade é interdisciplinar e receberá uma pontuação extra, incorporada aos pontos obtidos das atividades de cada disciplina do semestre. Independente da equipe vencedora da gincana, a atividade será avaliada, de acordo com os seguintes pontos:
a)   integração entre teoria e prática;
b)   incorporação de elementos da Teoria da Comunicação Comunitária à atividade;
c)   cuidados com a produção gráfica e com a editoração da fanpage;
d)   criatividade e ousadia na comunicação com o público da rede social;
e)   planejamento de cada etapa do trabalho; e
f)    pontualidade na execução de cada etapa do trabalho.


REFERÊNCIAS
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ALVES, Lynn Rosalina Gama. Conhecimento e internet; Uma construção possível. [S.L.]. 2012. Capturado on line em < http://www.lynn.pro.br/admin/files/lyn_artigo/bd665065e9.pdf>, acesso em 15/Jun/2012, às 22:00h.

FERNANDES, Anita Maria da Rocha et al. Desenvolvimento de um jogo para elaboração
De planejamento estratégico empresarial. Disponivel em < https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos12/4416642.pdf> Aceso em 9 out. 2018.

SETTON, Maria da Graça. Mídia e educação. São Paulo, contexto, 2011. P. 126.

VILA, Magda; SANTANDER, Marli. Jogos cooperativos no processo de aprendizagem acelerada. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

                                Fonte: https://pixabay.com/pt/estudante-mulher-inicializa%C3%A7%C3%A3o-849821/

Educação, novas tecnologias e subjetividade

- Por Alfons Heinrich Altmicks

A educação, na contemporaneidade, é marcada por uma certa difusão dos agentes educativos. A formação do ser humano da pós-modernidade — ou Modernidade em Crise, como pretendem alguns — finca-se sobre um volume excepcional de informações, extraídas dos mais variados contextos: grupos de ambiência, estabelecimentos de ensino, meios de comunicação de massa, instituições sociais tradicionais ou recentes... De fato, nunca, em toda a sua História, o homem teve tanto acesso à informação. Nesse contexto, não é de se estranhar que a educação informal tenha atraído sobre si as atenções da Pedagogia, sobretudo no que se refere à sua relação com as tecnologias da educação — Especialmente, as mídias eletrônicas e os recursos multimídia.

O uso pedagógico do rádio e da TV e dos recursos multimídia e da internet parece representar uma tendência fortíssima nos dias atuais. Primeiro pelo baixo custo que representa para o Estado ou para as Instituições de ensino; depois, por conta da agilidade e da facilidade com que atinge aos educandos. Certamente, o uso das mídias eletrônicas como instrumento pedagógico não é nenhuma novidade. Já nos anos 30, Anísio Teixeira, o eminente educador baiano, já experimentava o Rádio como veículo de cultura e formação. A grande diferença entre essas propostas formais, que estiveram presentes na mídia durante todo o Século XX, e os novos usos dados a ela talvez seja a ênfase na informalidade: hoje, passa-se conteúdo em forma de bate-papo, de conversa corriqueira, sob a aparência de cenas cotidianas, veiculadas como teleficção. A questão parece estar centrada no potencial dos backgrounds e das narrativas midiáticas para formar consciências, constituindo-se num agente pedagógico de excelência.

Nesse contexto, a Educação ainda tenta entender o papel das novas tecnologias da informação na sua área. Ainda se encontra, em muito, na perspectiva da crítica à Comunicação de Massa. É muito comum encontrar quem ainda teça a seguinte consideração: “Ah! Essa garotada não gosta de ler! Vamos formar uma geração de analfabetos!”. Na verdade, as novas gerações realizam uma leitura, sim, porém cada vez mais distanciada da leitura tradicional linear. O mesmo estranhamento que os mais antigos sentem em relação ao mosaico; os mais novos — formados na televisão e no rádio — sentem em relação à escrita convencional. Evidentemente, a escrita linear é importantíssima para a perpetuação do conhecimento, mas não adianta forçar às novas gerações um exercício que contradiz em tudo a sua subjetividade, formada na era da eletrônica.

À guisa de exemplo, tome-se o presente curso, de Educação e novas tecnologias, promovido pela ESAB. O que parece ser um diferencial formidável sobre as demais propostas é o fato de que o curso da ESAB utiliza como recurso pedagógico vários suportes e formatos de tecnologia da informação. Assim, tem-se, além da leitura linear dos módulos, vídeos, chats e foruns, onde a interatividade é a tônica.

Para saber mais sobre o assunto, pode-se consultar o blog de Rosa maria Torres (http://vecam.org/article644.html) e o blog "Conversa de elefante" (http://editoraelefante.wordpress.com/2009/07/24/a-educacao-na-sociedade-de-informacao/)

sábado, 27 de outubro de 2018

                                    Fonte: https://pixabay.com/pt/blog-blogger-navega%C3%A7%C3%A3o-computador-3428667/

Novas tecnologias na Formação de Jovens e Adultos

- Por Alfons Heinrich Altmicks

Quando se analisa a genealogia das políticas educacionais brasileiras, sobretudo no que se refere aos projetos de aceleração e de formação educacional para jovens e adultos, no Brasil, nota-se claramente que a benemerência e o altruísmo - típicos dos ideais e utopias da modernidade racionalista -, desde o primeiro momento, foram exilados de quaisquer iniciativas. A Educação brasileira foi fundada sob a égide da necessidade de se formar uma mão-de-obra gestora intermediária, para o tardio processo de industrialização do país. A Educação laica, universal e gratuita é um projeto republicano, que visou tão somente a implantação de um "know how", básico para aqueles que deveriam atuar na sua consecução. Um processo atabalhoado, e, talvez por isso mesmo, gerador de um eixo educacional igualmente atabalhoado. Afinal, modalidades educativas como a Aceleração e a Educação de Jovens e Adultos são indignas de qualquer iniciativa educacional comprometida com a formação de uma nação.

Nesse sentido, a adoção de tecnologias interativas para a Educação brasileira, especialmente no tocante à Aceleração a à EJA, apenas vem subscrever a farsa acintosa de que o Estado Brasileiro pode - ou mesmo pretende - formar pessoas, cidadãos, ou qualquer coisa que o valha. Ao que parece, as demandas produtivas foram substituída pela urgência de se obter índices positivos para as diversas instâncias do mesmo estado, face aos "rankings" nacionais e internacionais. Assim, a adoção do Ensino à Distância, independentemente, da sua natureza (regular ou Aceleração ou EJA), embora em princípio seja muito interessante, face à sociedade da informação, no caso brasileiro apenas reproduz políticas de uma concepção formalista e delirante, anterior ao próprio fenômeno. O entrave não pertence às TICs; mas ao conceito que se tem de Educação neste país.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018


                                                 Fonte: https://pxhere.com/pt/photo/824719


Estratégias recomendadas para o estudo online
 - Por Alfons Heinrich Altmicks

Atualmente, as pessoas têm acesso a um volume formidável de conteúdos, extraídos dos mais variados contextos comunicacionais. No entanto, todo esse manancial, isoladamente, não traz, em si, nenhuma perspectiva de um conhecimento de ordem mais complexa, capaz de dotá-las da transcendência do saber. Muitas vezes, ocorre exatamente o contrário: a difusão, o alcance e o volume imensos de informações fazem com que careçam de uma mínima organização das suas categorias intelectuais (ALVES, 2012). Trata-se do paradoxo provocado pelo excesso de informação: nunca antes, em toda a sua história, o ser humano teve tanto e tão irrestrito acesso à informação. Entretanto, ironicamente, este fato não tornou as gerações que nasceram sob a sua égide mais intelectualmente capacitadas — tampouco, menos — do que quaisquer outras gerações humanas.

Talvez a maior representante do paradoxo supracitado seja a Internet, cuja característica principal é o não condicionamento dos seus conteúdos a nenhum padrão de emissão que não seja a construção cooperativa e anárquica dos saberes humanos. É traço da sua fisiologia. Nesse sentido, a Internet representa uma revolução absoluta em termos de possibilidade de aquisição de conhecimento, ainda que não ofereça a capacidade de organizá-lo. O cerne da discussão sobre a Internet desloca-se, dessa maneira, para um reducionismo previsível — e quase axiomático —, contido no argumento de que o veículo é capaz de informar, mas não de formar. Humberto Eco (2012, p. 01) ousa opinar: “A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. [...]”. Seria, então, a Internet extremamente útil àqueles que já dominassem as categorias mais sólidas do conhecimento; ao passo em que seria subaproveitada pela inteligência mediana, cujos vetores ainda não estivessem formados, no sentido de preencher a informação de alguma substância.

Esse dilema deve ser enfrentado pelo aluno que pretende usar a Internet como veículo de Educação a Distância (EAD). Ele deve considerar as competências e estratégias, as quais subsidiarão o seu estudo (SOUZA, FRANCO e COSTA, 2016). Antes de qualquer coisa, ele tem que se preparar para os longos prazos, supostos pelos cursos. Com efeito, uma graduação em EAD pode levar até cinco anos para ser concluída. Ao longo desse tempo, o aluno, forçosamente, precisará se motivar, para que as demandas do curso sejam corretamente cumpridas. Enquanto estiver cursando, o aluno terá, ainda, que organizar uma rotina de estudo, de maneira que os prazos sejam cumpridos, evitando, assim, o acúmulo de tarefas. Então, como estratégia, mesmo que os cursos, normalmente, o avisem sobre as atividades, ele poderá confeccionar cronogramas e lembretes de véspera, de maneira que não esqueça as datas importantes.

Como competência principal, o aluno da EAD precisa desenvolver a autonomia de aprendizagem. Ele não pode ficar esperando que o curso, ou as disciplinas ou os tutores sejam responsáveis pelo seu próprio aprendizado. A EAD exige do aluno um alto grau de proatividade, interesse e compromisso, pois é fundamental que se assuma como sujeito ativo, produtor do seu conhecimento. Apenas assim, poderá construir colaborativamente o saber, com a consecução dos seus colegas de curso. Na EAD, assim como em, praticamente, tudo na Internet, os conhecimentos são construídos coletivamente, de forma que aprender a trabalhar com o outro é uma condição para a aprendizagem.

REFERÊNCIAS

ALVES, Lynn Rosalina Gama. Conhecimento e internet; Uma construção possível. [S.L.] Capturado on line em < http://www.lynn.pro.br/admin/files/lyn_artigo/bd665065e9.pdf>, acesso em 15/Jun/2012, às 22:00h.

ECO, Humberto. O excesso de informação provoca amnésia In: Revista Época. [S.L.] Capturado on line em: <http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/12/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia.html>, acesso em 22/jan/2012, às 20:00h (entrevista concedida a Luiz Antônio Giron).

SOUZA, Simone; FRANCO, Valdeni S; COSTA, Maria luiza. Educação a distância na ótica discente. Educação e Pesquisa. São Paulo, vol. 42, núm. 1, jan./Mar., 2016, pp. 99-113.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

                                      Fonte: https://pxhere.com/pt/photo/1280164


Educação a Distância



 - Por Alfons Heinrich Altmicks


Dentre os variados suportes de Educação a Distância (EAD), um merece especial atenção, dado o seu caráter idiossincrático: a Internet. Esta rede de extensão informacional tem a sua gênese no período histórico da Guerra Fria, muito embora o seu desenvolvimento como veículo de comunicação em larga escala somente ocorresse a partir do momento em que a sua tecnologia adentrou os campi das universidades norte-americanas. A sua origem acadêmica, de certa forma, determinou a sua natureza, dotando o veículo características contra-hegemônicas, fundamentais à sua proposição de uma construção cooperativa e anárquica do conhecimento.

A Internet constitui — e esta foi a sua concepção original — uma rede não-hierárquica de informações, de feição colaborativa. Isto significa que cada núcleo de expressão do veículo, cada computador no mundo, é ao mesmo tempo um polo emissor e um polo receptor de conteúdos. Originalmente, a sua tecnologia visava a reorganização automática da rede comunicacional, em caso de destruição de algumas das suas matrizes. Deste modo, a mensagem seria preservada e redistribuída, mesmo que houvesse a eliminação da sua fonte original. Como tecnologia bélica, a Internet representava a maior expressão de comunicabilidade já engendrada pela mente humana.

Entretanto, a grande revolução promovida pelo veículo aconteceria quando da sua passagem às mãos da iniciativa civil. No início dos anos de 1970, esgotados os recursos de desenvolvimento de linguagem dos militares, as tecnologias não-hierárquicas de comunicação foram transferidas às universidades norte-americanas, para que fossem desenvolvidas. Uma vez nos campi dessas universidades, as suas linguagens — e também os seus conteúdos e mesmo a sua tecnologia — passaram a ser desenvolvidas de forma colaboracionista. Várias mentes se debruçaram sobre as suas questões para resolvê-las conjuntamente, mesmo que estivessem separadas no tempo e no espaço.

Este desenvolvimento coletivo caracterizou o veículo, dotando-o de uma natureza iminentemente interativa. De fato, quase tudo na Rede Mundial de Computadores é calcado no princípio da interatividade, que simplesmente supõe a capacidade de alterar a mensagem original na fonte emissora, seja esta mensagem um conteúdo, uma informação, uma linguagem ou a própria tecnologia do veículo. Desta forma, porquanto seja interativa e colaboracionista, a Internet é um veículo educativo por excelência.

De uma perspectiva teórica, a Rede Mundial de Computadores deve ser entendida como algo maior e mais abrangente do que um simples veículo de comunicação: traduz-se num mecanismo de projeção de todas as consciências humanas, portadoras de saberes, subjetividades e técnicas, organizadas numa dimensão socializante e tecnológica comum. Como tal, pode-se assumir que a fisiologia da Internet favorece a assunção de uma maneira toda peculiar de organização psíquica, subjetiva e intelectual, que atende ás necessidades da autoformação e da busca pelo conhecimento.