terça-feira, 23 de outubro de 2018

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Educação a Distância



 - Por Alfons Heinrich Altmicks


Dentre os variados suportes de Educação a Distância (EAD), um merece especial atenção, dado o seu caráter idiossincrático: a Internet. Esta rede de extensão informacional tem a sua gênese no período histórico da Guerra Fria, muito embora o seu desenvolvimento como veículo de comunicação em larga escala somente ocorresse a partir do momento em que a sua tecnologia adentrou os campi das universidades norte-americanas. A sua origem acadêmica, de certa forma, determinou a sua natureza, dotando o veículo características contra-hegemônicas, fundamentais à sua proposição de uma construção cooperativa e anárquica do conhecimento.

A Internet constitui — e esta foi a sua concepção original — uma rede não-hierárquica de informações, de feição colaborativa. Isto significa que cada núcleo de expressão do veículo, cada computador no mundo, é ao mesmo tempo um polo emissor e um polo receptor de conteúdos. Originalmente, a sua tecnologia visava a reorganização automática da rede comunicacional, em caso de destruição de algumas das suas matrizes. Deste modo, a mensagem seria preservada e redistribuída, mesmo que houvesse a eliminação da sua fonte original. Como tecnologia bélica, a Internet representava a maior expressão de comunicabilidade já engendrada pela mente humana.

Entretanto, a grande revolução promovida pelo veículo aconteceria quando da sua passagem às mãos da iniciativa civil. No início dos anos de 1970, esgotados os recursos de desenvolvimento de linguagem dos militares, as tecnologias não-hierárquicas de comunicação foram transferidas às universidades norte-americanas, para que fossem desenvolvidas. Uma vez nos campi dessas universidades, as suas linguagens — e também os seus conteúdos e mesmo a sua tecnologia — passaram a ser desenvolvidas de forma colaboracionista. Várias mentes se debruçaram sobre as suas questões para resolvê-las conjuntamente, mesmo que estivessem separadas no tempo e no espaço.

Este desenvolvimento coletivo caracterizou o veículo, dotando-o de uma natureza iminentemente interativa. De fato, quase tudo na Rede Mundial de Computadores é calcado no princípio da interatividade, que simplesmente supõe a capacidade de alterar a mensagem original na fonte emissora, seja esta mensagem um conteúdo, uma informação, uma linguagem ou a própria tecnologia do veículo. Desta forma, porquanto seja interativa e colaboracionista, a Internet é um veículo educativo por excelência.

De uma perspectiva teórica, a Rede Mundial de Computadores deve ser entendida como algo maior e mais abrangente do que um simples veículo de comunicação: traduz-se num mecanismo de projeção de todas as consciências humanas, portadoras de saberes, subjetividades e técnicas, organizadas numa dimensão socializante e tecnológica comum. Como tal, pode-se assumir que a fisiologia da Internet favorece a assunção de uma maneira toda peculiar de organização psíquica, subjetiva e intelectual, que atende ás necessidades da autoformação e da busca pelo conhecimento.

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